sábado, 11 de julho de 2026

Ele chorava

E a loucura 

As lágrimas corriam

A boca dizia

Me tire daqui

Dessa loucura


Espelho de minhas loucuras

Eu quase choro imediatamente 

A minha loucura 

Da família das loucuras

Familiares 

Engoli o choro no meio do peito 


Se o vejo quando meus olhos cegam em lembrar

Eu quase choro novamente 

Lágrimas de oxum que chora 

Um magnetismo convidando para a borda


No pátio

Muita loucura 

Conter um homem grande 

Só mais cinco homens 

E muita amarração 

Mais loucura 

Medicação 






domingo, 28 de junho de 2026

Tem assunto que só interessa à pessoa que assunta. Fala pro analista mas são espumas ao vento. O assunto só vai causar a quem fala. Seria até bom falar pra um amigo que mora longe, mas não passaria de um desencontro.


Ao menos que seja pra nos mostrar, dizer onde chegamos desde aquele dia que nos ajudamos a viver melhor os momentos difíceis.





Eu vi um macho murcho

O que será esse fenômeno?

Um macho murcho sem ameaças 

O que é?

Murcho só com a presença da mulher 

Que quis exterminar sem sucesso 

Murchou a língua, o corpo todo

No mesmo lugar


Será quebrada a macheza com tanta murcheza? 

A mulher está cercada por muitas outras mulheres 

Nem o mais macho ousaria inflar







domingo, 24 de maio de 2026

 A boca abre

Abre mais um pouco 

Abre e fecha

Abre e fecha por alguns minutos 

Enquanto abre e fecha 

Da boca saem sons

Afinadas

Desafinadas

Com notas 

Hipnotiza 


Essa boca que abre e fecha

Também emite a indigestão 

Não se sabe por psicossomática 

Nem se por histeria 

Se pela falta da família 

Pelo choro 

Em silêncio 

Vomita



sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

O mundo já é uma guerra. Uma bomba a mais outra a menos não causa mais indignação ao mundo, tão machucado. A moça arrastada pelo asfalto é mais uma notícia de atrocidades. Viver é ver o mundo colapsar sem chances a mais. Portanto, se ocupar das notícias do mundo não pode fazer tão parte da vida das pessoas. 

 Ponto final na vida é de continuação. A adrenalina sobe pro ponto final, depois vem o alívio. Alívio em reaver coisas minhas e não deixá-las nas mãos dos outros. E bloquear. E apagar. Deixar a vida levar pra bem longe e nunca mais. Nunca mais existe. Não existe é vida após a morte que o ponto final dá. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Uma geração sem agrotóxicos.

Uma geração com agrotóxicos e celular à cabeceira.

Uma geração com agrotóxicos, celular à cabeceira e com falta de água.

Uma geração com agrotóxicos, celular à cabeceira, com falta de água e ondas assassinas de calor.

Sufocados, arrastados pelas enchentes e ressacas, sedentos.

Exterminados.