Grossa
Igual à chuva
Afiada
Como a aresta da lâmina
Na cara do cara
Determinada
Rente à mente de um matador
Exausta
Semelhante a qualquer mulher deste século
Santa poesia
Nunca é igual se for bem natural
Sair do campo de visão. É a conclusão. Nunca mais verá a minha cara, só se for em um velório e olhe lá. É auto-defesa.
O perverso não quer eliminar uma pessoa, quer permanecer eliminando. Se o objeto some, o que acontece? Vai procurar outro objeto!
Ele chorava
E a loucura
As lágrimas corriam
A boca dizia
Me tire daqui
Dessa loucura
Espelho de minhas loucuras
Eu quase choro imediatamente
A minha loucura
Da família das loucuras
Familiares
Engoli o choro no meio do peito
Se o vejo quando meus olhos cegam em lembrar
Eu quase choro novamente
Lágrimas de oxum que chora
Um magnetismo convidando para a borda
No pátio
Muita loucura
Conter um homem grande
Só mais cinco homens
E muita amarração
Mais loucura
Medicação
Tem assunto que só interessa à pessoa que assunta. Fala pro analista mas são espumas ao vento. O assunto só vai causar a quem fala. Seria até bom falar pra um amigo que mora longe, mas não passaria de um desencontro.
Ao menos que seja pra nos mostrar, dizer onde chegamos desde aquele dia que nos ajudamos a viver melhor os momentos difíceis.
Eu vi um macho murcho
O que será esse fenômeno?
Um macho murcho sem ameaças
O que é?
Murcho só com a presença da mulher
Que quis exterminar sem sucesso
Murchou a língua, o corpo todo
No mesmo lugar
Será quebrada a macheza com tanta murcheza?
A mulher está cercada por muitas outras mulheres
Nem o mais macho ousaria inflar
A boca abre
Abre mais um pouco
Abre e fecha
Abre e fecha por alguns minutos
Enquanto abre e fecha
Da boca saem sons
Afinadas
Desafinadas
Com notas
Hipnotiza
Essa boca que abre e fecha
Também emite a indigestão
Não se sabe por psicossomática
Nem se por histeria
Se pela falta da família
Pelo choro
Em silêncio
Vomita