quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

As mulheres estão criando estratégias de defesa

 As mulheres estão criando estratégias de defesa conta o masculinismo. Os dispositivos tecnológicos facilitam a comunicação, chegando rápido entre elas. Isso pode salvar muitas vidas.

Tenho pensado na relação desse movimento e a psicofobia, preconceito contra pessoas portadoras de transtornos mentais. Da mesma maneira que eles se dizem Peter Pan, a mulher logo cedo aprende as durezas do mundo, impostas por eles. Escutei caso de internação involuntária da mulher pelo próprio cônjuge. Isso é grave. Este cenário de medicalização, diagnósticos sem pesquisa do caso, parece um movimento contra as mulheres, e entendo mulheres juntamente às suas crianças. O ataque os atinge. Crianças e mulheres medicalizadas favorecem ao masculinismo.

Na clínica com crianças é raro o comparecimento do pai. O cônjuge também não acompanha a mulher. Os problemas delas geralmente são os homens. Desde o abuso na infância, estupros e demais violências, física e psicológica. Terrível. Chocante pensar nisso agora. 

A notícia na cidade é a de a Bíblia será adotado como parte pedagógica na escola. Um perigo. Há ainda mulheres carregadas pelo machismo, vivendo um ciclo que parece sem fim, quando termina em morte. Há homens fazendo tratamento de silêncio e infectando mulheres e que vão até às manifestações contra o feminicídio. Um horror isso. 

Eu não sei se peço às escolas, aos espaços comunitários, à saúde pública, a presidência, pra escutar as mulheres sobre as maneiras de fazer uma revolução a favor das pessoas, da coesão. Eu entendo que hoje há um que Durkheim chama de anomia, algo está fora da ordem, porque as coisas se repetem e continuam boicotando as pautas femininas, em todos os espaços contaminados.

Uma mulher não é mulher sozinha. Portanto as articulações são importantes. 


domingo, 21 de dezembro de 2025

 Quando é possível superar o trauma, acordar no outro dia e sentir que se está livre dos pensamentos intensivos, é uma dádiva. Não pense que isso acontece solitariamente, pelo contrário, é preciso o contato com pessoas. Pessoas as quais você pode falar da sua loucura. No final das contas, a sua loucura foi a salvação, mas a salvação vem dos encontros seguros, confiáveis, estáveis e também surpreendentes, aqueles que sustentam a loucura e dão assistência a sua passagem. 

Em uma dedicação analítica sobre as repetições, as ações inconscientes sobre elas vão dando pistas. E de repente surge a curva fora da pista, a tangente. A análise dos sonhos, a escrita, a música, a palavra amiga, dão muitas pistas. Uma rede simbólica que sustenta o corpo alucinante e lhe põe de pés no chão. 

No pós-traumático há uma guerra contra o real. Ao superar o trauma, essa guerra cessa. 






sábado, 20 de dezembro de 2025

Adaptação livre de "No Meio do Caminho" Carlos Drummond de Andrade

 Adaptação livre de "No Meio do Caminho"

Carlos Drummond de Andrade


No meio do caminho tinha um incell 

Tinha um incell no meio do caminho

Tinha um incell 

No meio do caminho tinha um incell 


Nunca me esquecerei desse acontecimento

Na vida de minhas retinas tão fatigadas

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

Tinha um incell 

Tinha um incell no meio do caminho

No meio do caminho tinha um incell

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Talvez seja poesia

 Um dia de encontros não marcados. Ver quem gosta quando se está apenas passando pela rua reenergiza. 

Eu queria voltar a pensar em poesia mas nunca mais veio. A estranheza da escrita depois de ser bem-vinda.

Encontros e abraços e beijos e alegrias.

Na rua beira da praia, céu azul, ventania.

Talvez isso tudo seja poesia.


domingo, 14 de dezembro de 2025

 Se a andança está na força do caminhar

Caminhar sem forças é se arrastar

No silêncio 

Do corpo insustentável 



O cachorro escandaloso entrou na casa dos outros mas lá existia um cão maior que ele.


Na casa do cachorro quase entravam duas onças mas a humana, para protegê-lo, tentou manter a calma e empurrar a onça preta pra fora, chamando sem parar o cachorro que, sem ela ver, já estava lhe protegendo do lado de dentro.





sábado, 13 de dezembro de 2025

 Se as coisas se resolverem só no futuro das coisas, o que faço agora? 


Cais

"Para quem quer se soltar

Invento o cais

Invento mais que a solidão me dá

Invento lua nova a clarear

Invento o amor

E sei a dor de encontrar

Eu queria ser feliz

Invento o mar

Invento em mim o sonhador

Para quem quer me seguir

Eu quero mais

Tenho o caminho do que sempre quis

E um Saveiro pronto pra partir

Invento o cais

E sei a vez de me lançar

Eu queria ser feliz

Invento o mar

Invento em mim o sonhador"

(Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

O macho não quer aprender, ele repele quem tenta lhe instruir. Essa história de que não é de uma hora pra outra que vamos reaprender o que se montou em séculos é discurso copiado e colado, portanto, vazio, sem efeito prático. 

Ao desvelar o efeito machista como instrução a um homem que se autodeclara anti-machista a mulher se expõe a riscos. Ser ignorada para sempre é um deles. Parece irreversível. 

Não há muitos esforços não. Eles dizem que estão se esforçando, aprendendo, mas é apenas um semblante.

É uma violência tão sutil que eu nem sei contar, só sentir. 

Na encruzilhada

Eu vejo coisas antes mas o que é preciso ver mesmo pra me proteger eu não vejo.

Nada do que eu diga, que eu busque, nenhum movimento meu está sendo capaz de alterar alguma coisa. Essa é a bombambulante encarnada.

Muito límpida, do jeito que a música pede pra o meu corpo estar e transmitir, vulnerável, me deixei ser tocada. A coisa tão pequena. Os 10 reais mais caros que encontrei na rua. Exposição ao extremo, dor ao extremo. 

O corpo não dorme mesmo induzido pela química Sem dormir, sem conseguir comer. 

A voz de Tim Maia não sai e toda hora ele me diz que me ama mas pensa que não vai ser possível. Uma ferida narcísica tão grande incapaz de fechar quando eu não enxergo e deixo que futuquem nela, mostro a cicatriz e deixo que mexam nela. 

Os dias têm sido ensolarados e o ceu azul. Nem a fé no azul. Nem uma resposta sobre o som. O dinheiro vem a serviço de tentar fazer passar a dor, injeto na música, encontro pessoas com rara compreensão de que algo bom pode acontecer e nelas estou me segurando mesmo sem elas saberem. 

Eu quero sentir menos, eu preciso sentir menos. Sentir nada. Parece não ter outro caminho senão o da quimioterapia ou do suicídio. Estou na encruzilhada.

domingo, 7 de dezembro de 2025

 A escrita suporta o surto. O vício em acreditar em gente desarranja a minha mente. Eu canto porque aplaudem. Mas eu também canto sozinha. Mas só o canto não sustenta o surto. E eu não lhes informo nada sobre o mundo em que vivo, sobre tudo o que há de ruim nesse mundo podre de mentiras. A loucura é sem fim e tão diversificada dada a criatividade humana. Hoje estou louca. Nem sei como eu ando. Me arrastando depois de me mostrar tanto, me explicar tanto, em vão. Tá ruim viver sem sossego e sem o chamego sincero entre pessoas. Fazer pra nada. Só por fazer e ponto. Tanta burocracia. Tantos modos. Eu sem modos. Saí da minha casa pra me dar aos corpos. A loucura dela. E eu não lhes informo sobre a decadência dos encontros musicais nem da música que eu nunca gravei. 

 Muito pra .mim é pouco e pouco pra mim é muito.uma boa intenção é amor. Mas isso não é muito, isso é óbvio. Um encontro amoroso. É a liga. Mas feromônios estão antes disso. 

 A química extrai do corpo os Ímpeto mas não o contrai. 

No sonho eu carregava uma criança saindo de uma mulher. Sorrindo.


O que é pior do que chorar comendo. Querer possuir o que não é posse. 


 Quando o hiper foco é alguém a barra é pesada. Uma compulsão em comunicação, tentativas de comunicação desestruturadas, tragédia. 

Hoje estou com a vida sustentada por dois cães. Não me deixam cair e me agarram na borda. 

Se a minha fé tivesse nome eu pegaria com fervor para desfocar. 

É um só. Ninguém mais. Um só que não quer. E a mente apontando errado. Eu toda errada. Tudo errado. 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

 Eu estou triste, muito triste. O fim das coisas boas me deixa muito triste. E quando eu vejo que o fim das coisas aconteceu por repetição, eu fico mais triste ainda. Nessa tristeza está todas as dores de todas as repetições e eu me pergunto por que cargas d'água fui repetir. Eu pensei que ia dar tudo certo, com todo o cuidado... Eu quero ficar quieta na minha casa e já não posso sair mais pra não repetir. Quando a música chega e vai embora, me causa prejuízos. Não e4cukpa dela, é como eu me sinto ao tocar nela, o que ela, através de mim, provoca nas pessoas e eu não quero mais. Eu quero ficar quieta e em silêncio. O encontro entre seres humanos é muito traumático. O encontro de uma mulher negra com um homem é muito traumático. Um rebaixamento, um doer que aperta o coração porque nada é puro da parte dele. Ela se abre, ele usa.