A menina negra, hoje com seus 100 e poucos anos, me contou que a sua avó lhe retirou da escola porque só voltava para casa apanhada, com seus joelhos inchados de tanto tempo imprensados nos grãos de milho no chão. Era a professora quem cometia as violências e aquilo não podia continuar. A criança nunca que ficava quieta, tampouco fazia as tarefas escolares. A menina mesmo confessa suas dificuldades e quase retira a responsabilidade da professora violenta. Foi salva por sua avó preta, quem lhe ensinou a cantar a música de Iansã.
Revolucionária a sua avó, eu lhe digo. Minha mãe branca sequer acreditou em mim quando lhe confessei os mal tratos sofridos no jardim da infância, de modo que fui obrigada a ir pra escola encharcada de medo por toda a infância, e eu não tenho nem metade da idade da menina hoje. No primeiro dia de aula, fui largada chorando muito e ela nem olhou pra trás. Minha mãe nunca fez revolução. Nem a pouca revolução em assumir que nunca fez nada.
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