segunda-feira, 7 de agosto de 2017

o Menina baiana - claquete 184

O MENINA BAIANA: Aquela nota no início eu não escutei. Demora mesmo entrar. Eu demoro mesmo pra ir. Isso me atrapalha. Me estimula excessivamente desde as fotografias expostas como ossos expostos dessa Bahia. E daí que eu seja baiana? É daí. Meio Nara, eu mostro uma delas a ela quando sou público. Sinto dores antes das bolhas. Depois de todo choro, bolhas. Eu pergunto quando você chega pra evitá-las. Barba cheirosa e eu desconfio que visita as minhas histórias. Estou entrando no rio vermelho.

UMA PESSOA DO PLURAL: Estou com muita dificuldade em enviar as mensagens.



o Menina baiana - claquete 183

CENA: Trava língua


O MENINA BAIANA: Eu sei entrar e sair e olhar pra quem eu quero. Eu dei a volta pra fazer visitas. O som esteve muito bom. Menos os pastéis de bacalhau. Nem com azeite. Nunca mais. Nesse rio vermelho eu faço voltas, vou no samba. Sou grata a você pelo silêncio. Pra mim, isso não se faz. Isso de pausar caracteres. Existem cumprimentos básicos e simpáticos emojis. Mas silêncio? Silêncio é pra chamar o som? Morte súbita? Sinto muito. Já não fica mais no meu estômago ou fazendo tremer o meu corpo. Fica numa rua da minha fronte. Faço o trabalho de compreensão. O silêncio se não está para o som, está para morte. Que assim seja se assim prefere. Morra.

domingo, 6 de agosto de 2017

o Menina baiana - claquete 182

CENA: Quando a sede chamou


UMA PESSOA DO PLURAL: Eu tenho medo que você sofra por mim, meu amor.

O MENINA BAIANA: Prometo que não. Eu choro, mas é de emoção por você existir. Por você falar comigo, por escutar a sua voz e sentir o que vem de você. Você não largou a minha mão, não desviou a atenção de mim.

UMA PESSOA DO PLURAL:  Tinha medo de te perder. É fácil ser sincero contigo. E adoro olhar para coisas lindas.

O MENINA BAIANA: É fácil te amar e levar esse amor dentro de mim pra aonde eu for. Eu me senti segura e forte e muito desejada

UMA PESSOA DO PLURAL: Espero que te inspire na sua arte, que melhore o teu fado. Eu sei que o seu projeto musical é um projeto artístico e não comercial. Por isso o estruturas com tanto cuidado, profissionalismo e carinho. Vejo a sua alma nos teus olhos quando fecho os meus. Uma vida inteira seria de menos.

O MENINA BAIANA: Você inspira o meu viver. 

UMA PESSOA DO PLURAL: Quando olhei o seu corpo na praia, fiquei enfeitiçado com a sua cintura perfeita. A sua beleza parece sobrenatural.

O MENINA BAIANA: Existem muitas parecidas aqui.

UMA PESSOA DO PLURAL: Teu corpo e a tua alma em sintonia com as minhas mãos.

O MENINA BAIANA: Mãos que não têm dúvidas. Eu sou água do mar perto de você.

UMA PESSOA DO PLURAL: Fico completo.

O MENINA BAIANA: Não tenho direito de perguntar nada a essa vida.

UMA PESSOA DO PLURAL: A Bahia é a sua alma. Se você sair, definhará como uma flor envasada. Não gosto de gente desterrada. És enraizada. Como eu.

sábado, 5 de agosto de 2017

o Menina baiana - claquete 181

CENA: Riacho do navio


O MENINA BAIANA: Que as luzes se apaguem e eu sinta apenas aquela bem quente acima da minha cabeça, cegando o meu olhar. Isso não é esperança, é um grilo. Cega eu poderei dormir sem erva. Na caixa preta. Parede aberta diante de mim. Ah! Quantas saudades eu sinto de você. Quanto amor! Quando escuto a sua voz meu corpo recebe uma descarga elétrica. As lembranças são mesmo muito fortes. Tenho vontade de ir ao seu encontro mas devo todo dia entender que o tempo é o senhor dos destinos. Foi luz que você me trouxe.

UMA PESSOA DO PLURAL: Meu Deus!

O MENINA BAIANA: Vamos ficar por aqui só umas horas.

UMA PESSOA DO PLURAL: Tão linda, tão sensual, tão romântica, tão mulher...


o Menina baiana - claquete 179

CENA: O sol não adivinha


O MENINA BAIANA: O mar faz silêncio mas a minha mente não. Nem essas pessoas na rua. O vento traz o barulho delas a se unirem com a zoada da minha cabeça. Já coloquei o fone. Vou escutar minha sorte e estudar o que posso colocar nela. Não sei se outra língua. Esse meu jeito não cura com reza. A reza é pra encontrar esse meu sujeito. Encontrar sujeitos que me dão espelho em seus jeitos, meus jeitos, em seus cheiros que pedem minhas narinas, em seus ouvidos que pedem a minha voz, em suas vozes que pedem meus ouvidos. E parecem estar por perto pra não perdê-la. Estética, tropicálias, na minha, meu canto. Me encontro metendo pesquisa pra viver. Não foi o sistema de catracas que se dispôs a me destrancafiar. Foi a música. É ela. Nem foi a oração torta de minha mãe durante todos esses anos. Ainda que eu cante minha sorte, tenha chorado com minha sorte. Minha mãe é minha música. Eu me derreto em lágrimas duras, tão duras quantos aquilo que se coloca na ponta da perfuradeira, enfiando ela bem no fundo do mar pra encontrar sinais da pérola negra mundial. Eu me encontrei no negro gato antes mesmo dele morrer, ele sim é uma pérola negra. Brasileira. Assim, brasileira. Desse jeito meu, brasileira. Sentindo a nacionalidade toda pelos poros e pêlos. A naturalidade em meus fios de ouro prata no espelho. Na rachadura de minha pele porosa e flácida. Nos rasgos novos em volta dos meus olhos. Todo dia. Quando é dia. Eu me levanto e lavo a louça pra deixar a casa arrumada. Passar pano no chão tem que ajoelhar pra enxergar a sujeira.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

o Menina baiana - claquete 180

O MENINA BAIANA: Eu digo logo. Pra quê engolir o dizer se é algo bom isso que sinto? Não sei se é bom pra você. O meu dizer vem de algo bom que sinto em direção a você. É assim que esse mundo pode me conter. Só assim. Olhando todo dia pra minha baía, escutando tropicálias, buscando as cantigas pra ninar a minha dificuldade de viver. Biscoitinhos e vitamina de frutas. Mão no ventre. Os lugares bons de entrar não deveriam ter saída. Ou são bons lugares de entrar porque têm saída? Seriam prisões se não tivessem saída? Olhos fechados. Mão no ventre.

UMA PESSOA DO PLURAL:  Olá, minha Rainha.

O MENINA BAIANA: Eu desejo ser amada por alguém assim como sinto o seu amor. Sinto vontade de lhe abraçar.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

o Menina baiana - claquete 177

CENA: Cochicho


O MENINA BAIANA: Ainda estou e entendo que você sente a minha presença. O imaginário é proibido de criar expectativas em relação a você. Você é o ar, vem fazendo redemoinhos no mar e depois parece que nem brisa faz. Você também está, como é possível. Eu te entendo. A paixão entra. O amor entra e sai. A paixão arrebenta. O amor acalenta e vai. Quero dizer pra você que te amo. Acho que já lhe disse antes. Mas quero dizer agora, mesmo sendo dois pontos, nós dois, nessa distância que percorreu carta na garrafa ao mar até você estar. É a Bahia, é Salvador, rio vermelho quando a sua mente lhe trai. Ainda sou menina baiana, meu existencialista ateu sem rótulos. Sou menina baiana e nem precisa se mexer enquanto há língua. Pode ir, mas volte de vez em quando, lembre-se de mim, sob o céu da baía.