Será? Pelo menos quando me faltam, eu peço um empréstimo sem devolução à poesia alheia. Vai mais uma para este blog. Nunca pensei em transcrever Guilherme Arantes, mas esse refrão não tem saído da minha cabeça faz alguns dias. Veneno, veneno, desejo....Posso fazer ideia de algum motivo que o trouxe à Arembepe.
Taça De Veneno - Guilherme Arantes
Tom: Sol Maior (G)
Introdução: Em C7M D Em C7M D Em C7M D Em C7M D G9
Em B11 Em
Os excessos tentam diminuir tudo o que nos falta
B11 Am E C G
Sem conseguir vontades fazem de um rei um escravo
D G
Quando põe o mundo atrás das grades.
Em B11
São as forças que nos podem matar
Em B11
São fraquezas que nos podem salvar
Am E C G
Erros são certos pra sermos únicos
D G G/B
Defeitos se confundem com virtudes.
D
Todos precisam de um veneno
C Em
Pra encher a sua taça de desejo
D
Todos precisam de um desejo
C G
Pra encher a sua taça de veneno
Em
Mas com medo não se vive
B11
Com receio não se vai
Em
Com a dúvida não se arrisca
B11
Não se voa, não se cai
Am E C G
Curto é o caminho dos covardes
D G
Triste é o riso dos ignorantes.
D
Todos precisam de um veneno
C Em
Pra encher a sua taça de desejo
D
Todos precisam de um desejo
C G
Pra encher a sua taça de veneno
segunda-feira, 28 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Cria minha, filha minha
Ontem, com seus dedinhos de uma menina de seis anos, minha filha resolveu mandar um recado para ela mesma no seu orkut, cujas visitas são devidamente supervisionadas por mim.
- Um recado para você mesma?
- Sim. De vez em quando eu faço isso.
Que segurança nesse sujeito! Vou transcrever o que ela publicou:
"sabado foi o meu dia mais emocionante da minha vida!!!!!!!!!!! algumas pessoas acham que a vida nunca acaba"
Ela cantou no palco junto com a banda Samba Maria. Foi ardentemente aplaudida. Eu saí do seu campo de visão no momento da apresentação. Ela cantou e dançou, no ritmo e com o jeito dela de criança, sem qualquer sensualidade, pura arte.
Pensei sobre a sua frase "algumas pessoas acham que a vida nunca acaba" e fiquei resistente, querendo e não querendo fazer a minha interpretação. Então, pedi que me explicasse o que quis dizer com isso no dia seguinte. É isso mesmo que está escrito, "mãe tem pessoas que acham que a vida não acaba, mas a vida acaba, as pessoas envelhecem e pronto, morrem"
Achei até que era uma "mensagem do além" para mim! rsrsrsrsrs Nada além daqui, desta vida que vivemos. Ela rapidamente compreendeu o que eu ainda custo a entender: a vida é besta. São momentos de prazer, de realização de desejos, de alegria e trabalho que fazez a vida. Ela é cria das minhas colocações, ela confia no que eu digo e realiza. É linda minha filha, e sabe viver. Mesmo depois de uma séria infecção na garganta, quando tentava transformar-se num camaleão ao camuflar seus mais puros sentimentos. Eu falei, nem todos precisam saber o que você sente, divida suas alegrias com quem você percebe que merece.
Eu devo achar que a vida nunca acaba, eu com esse ranço de espiritualidade, deixando de enxergar as alegrias da vida, colocando impedimentos cristãos em tudo que há. Estou esquecendo de viver, pensando demais, convertendo coisas demais, imaginando coisas talvez. Queria ser cria minha, com certeza falaria com a segurança que ela falou.
- Um recado para você mesma?
- Sim. De vez em quando eu faço isso.
Que segurança nesse sujeito! Vou transcrever o que ela publicou:
"sabado foi o meu dia mais emocionante da minha vida!!!!!!!!!!! algumas pessoas acham que a vida nunca acaba"
Ela cantou no palco junto com a banda Samba Maria. Foi ardentemente aplaudida. Eu saí do seu campo de visão no momento da apresentação. Ela cantou e dançou, no ritmo e com o jeito dela de criança, sem qualquer sensualidade, pura arte.
Pensei sobre a sua frase "algumas pessoas acham que a vida nunca acaba" e fiquei resistente, querendo e não querendo fazer a minha interpretação. Então, pedi que me explicasse o que quis dizer com isso no dia seguinte. É isso mesmo que está escrito, "mãe tem pessoas que acham que a vida não acaba, mas a vida acaba, as pessoas envelhecem e pronto, morrem"
Achei até que era uma "mensagem do além" para mim! rsrsrsrsrs Nada além daqui, desta vida que vivemos. Ela rapidamente compreendeu o que eu ainda custo a entender: a vida é besta. São momentos de prazer, de realização de desejos, de alegria e trabalho que fazez a vida. Ela é cria das minhas colocações, ela confia no que eu digo e realiza. É linda minha filha, e sabe viver. Mesmo depois de uma séria infecção na garganta, quando tentava transformar-se num camaleão ao camuflar seus mais puros sentimentos. Eu falei, nem todos precisam saber o que você sente, divida suas alegrias com quem você percebe que merece.
Eu devo achar que a vida nunca acaba, eu com esse ranço de espiritualidade, deixando de enxergar as alegrias da vida, colocando impedimentos cristãos em tudo que há. Estou esquecendo de viver, pensando demais, convertendo coisas demais, imaginando coisas talvez. Queria ser cria minha, com certeza falaria com a segurança que ela falou.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Vou descolar, desatar, autorizar-me. Chega. Hoje eu tremo, meu coração bate a mil. Duas mulheres fortes... Que nada! Mulher forte sou eu, com todo o meu corpo comprometido por questões psicológicas trazidas da minha infância que estou tratando, tendo a coragem de buscar lá não sei onde, e resolver. Vivo com o minha pulsão de morte, com meu desespero de vida, com as palavras alheias gravadas na minha memória... Não são duas mulheres fortes, é uma mulher forte. Sou eu. Sou eu que me disponho a um trabalho em análise, sou eu que assumo minha natureza depressiva, que tento colocar palavras quando não fui ensinada a falar. Nem a amar, nem a desejar. Sou eu corajosa por enfrentar questões hoje tão marginalizadas pelo mundo do trabalho, da sociedade. E resolvê-las, porque há sim solução. E eu quero resolver. Mesmo que o meu tempo seja mais lento, mesmo que o meu corpo e meu trabalho pague um preço... Não consigo continuar agora.
domingo, 20 de junho de 2010
Para Paulo Fernando
Eu conquistei um príncipe
rei do eu reino
Pai dos meus herdeiros
O encanto pode se quebrar
Mas nada do que já está quebrado em mim
Nada mais que rachaduras de um homem
Meu sonho tocado no real
causador de angustia e medo
realização do meu desejo
Tudo dentro de amar
Eu te amo, eu te quero, eu te desejo
Meu príncipe, meu rei, inteiro
É pra escancarar, existe sim. Seus defeitos? Seus vícios? Suas angústias? Meus defeitos, meus vícios, minhas angústias. Então, nossa dificuldade e vontade de sobreviver. Amor transcedental, anormal? O que é isso? Existe não. Não a imitação da vida alheia, não à hipocrisia, não à insensibilidade, e outras coisas mais. Sim a mim, descolada dos outros, longe, bem longe desse tremor de medo de mim, de medo de continuar copiando o original dos outros sem sentir, medo de meu sujeito. Está acabando... vou me reconstruindo.
rei do eu reino
Pai dos meus herdeiros
O encanto pode se quebrar
Mas nada do que já está quebrado em mim
Nada mais que rachaduras de um homem
Meu sonho tocado no real
causador de angustia e medo
realização do meu desejo
Tudo dentro de amar
Eu te amo, eu te quero, eu te desejo
Meu príncipe, meu rei, inteiro
É pra escancarar, existe sim. Seus defeitos? Seus vícios? Suas angústias? Meus defeitos, meus vícios, minhas angústias. Então, nossa dificuldade e vontade de sobreviver. Amor transcedental, anormal? O que é isso? Existe não. Não a imitação da vida alheia, não à hipocrisia, não à insensibilidade, e outras coisas mais. Sim a mim, descolada dos outros, longe, bem longe desse tremor de medo de mim, de medo de continuar copiando o original dos outros sem sentir, medo de meu sujeito. Está acabando... vou me reconstruindo.
sábado, 19 de junho de 2010
A MANGA ROSA (Ednardo)
Tom: Am
A manga rosa, Maria Rosa
Rosa Maira Joana
Dm
Peitos gostosos, rosados doces mama
F
Mama mamãe
C7
Teu sumo escorre da minha boca
D7
Entre aberta a porta por onde entra e por onde sai
G7 F7 E7
Por onde entra e sai o mundo, mundo
Am
Balança a grande farta mangueira
E mata a fome morta a fome
C7
Ou Mata imensa mata imensa massa Florados cachos
F Bb
De verde amarelo maduro fruto
E7 Am Am/G
Que pro nosso gozo vem, amém
F E7
Mamem, amém
A manga rosa, Maria Rosa
Rosa Maira Joana
Dm
Peitos gostosos, rosados doces mama
F
Mama mamãe
C7
Teu sumo escorre da minha boca
D7
Entre aberta a porta por onde entra e por onde sai
G7 F7 E7
Por onde entra e sai o mundo, mundo
Am
Balança a grande farta mangueira
E mata a fome morta a fome
C7
Ou Mata imensa mata imensa massa Florados cachos
F Bb
De verde amarelo maduro fruto
E7 Am Am/G
Que pro nosso gozo vem, amém
F E7
Mamem, amém
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Quando uma criança é surrada o que está em questão não é apenas o castigo físico. A raiva e o descontentamento do adulto com sua própria vida são elementos que fazem irromper a violência de uma forma muito mais contundente do que o que quer que a criança tenha feito.
O castigo físico fere muito além do corpo. As surras levam, de enxurrada, tudo que necessita de coragem pra ser feito.
Maria da Conceição Nobre – psicóloga e psicanalista, coordenadora da Pesquisa O que eles não Gostam Projeto Proteger - Salvador /Bahia
Encontrei este trabalho de Conceição pesquisando textos para colocar no blog da Confraria dos Saberes. Como teimo em fazer tudo ao mesmo tempo agora, sem a paciência dos lobos, teria eu antes pensado em escrever e aqui estou.
Este trecho faz transferência com a minha sessão de análise hoje. Parecia uma sessão de emergência para mim, mas fora marcada. Ela me telefona desde ontem e hoje consegue falar: “Eu te liguei porque achei esse horário estranho...” Mas era uma emergência! Ela não sabia...
Logo na porta encontro Duto Santana, psicanalista, dançarino, mestre em dança, meu querido Duto. Faço festa, foi uma surpresa encontrá-lo, e fazendo análise com Conceição! Ufa! Agora sim... rsrsrrsr Antes de chegar lá, uma conversa franca sobre o meu relacionamento com o meu amado marido. O que eu tenho a oferecer? O que me falta? O que eu quero dele? O que ele tem? Nossa, eu tenho um marido... Sou merecedora de um marido... Posso compartilhar o que temos e trocar quando não temos. Dar o que não tenho para dar. Um par, meu companheiro, sensível, inteligente, capengante nessa vida como eu. Porém, isso é importante, coloquemos nossa ortopedia em prática!
Isso! Como me emociono e me estarreço com todo o meu processo. Tem uma inteligência burra em mim, como consegui nomear. Interpretação bem dita. Será que ela é uma entidade superior. Para mim, seu suposto saber, seu inconsciente afinado e flutuando com o meu é o que há. E eu quase não aguento! Por que não uma meditação? Sim, já tentei, mas não consigo. Medite, ouça uma música antes de dormir. Olhe o que estou fazendo antes de dormir - escrevendo. Como me cortar? A vida é besta. Mas dói. Construa sua ortopedia. Construirei em mim o meu sujeito. Eu vou escolher qual o predicado de mim. Conjugarei sofrer, conjugarei viver? Viver. Conjugarei. Fazer. Conjugarei. Trabalhar. Conjugarei.
Minhas noites não têm sido plenas faz uns muitos dias. Insônia, angústia, mais que angústia, ansiedade. Anseio tudo, como supracitei, tudo ao mesmo tempo agora. Aí paraliso na minha. Tem atestado pra isso? Vou mostrar à médica pra ver se ela entende, porque o dia de ontem para mim, aliás, as horas que se passaram, já não sou mais eu. Eu faço análise! Então hoje eu (talvez eu releia e lembre pontuando assim. Sou meio esquecida):
Entendi porque Waltinho persiste na ideia de localizar o inconsciente em algum lugar do corpo humano;
Enxerguei que posso escolher não sofrer;
Relembrei como o meu sintoma toma conta de mim e como posso fazer para fazê-lo trabalhar ao meu favor;
Contextualizei que o meu pai, quando não o incomodava, não era a lei, mas a permissividade;
Entendi quando minha mãe declarou a terceiros ser eu uma mãe bem mais paciente do que ela foi;
Compreendi que meus pais não são autores de mim;
Lembrei que a violência não é só física mas também verbalizada;
Pensei não ser possível recordar de muitos fatos da minha primeira infância (será que recordar de um não basta?! A resposta é não, idiota!)
Percebi que comecei a soltar palavrões nas minhas sessões de análise;
Assustei quando quase perdi o meu parceiro, marido, amante em nome de uma moralidade falsa;
Percebi o quanto estou cansada de mim sintomatizante;
Estou trabalhando para construir a minha ortopedia e caminhar com os meus próprios pés.
Tem mais, muito mais. Essa experiência de pontuar a sessão é interessante... enfim, pontuar não é curar, é organizar. Estou me organizando.
O castigo físico fere muito além do corpo. As surras levam, de enxurrada, tudo que necessita de coragem pra ser feito.
Maria da Conceição Nobre – psicóloga e psicanalista, coordenadora da Pesquisa O que eles não Gostam Projeto Proteger - Salvador /Bahia
Encontrei este trabalho de Conceição pesquisando textos para colocar no blog da Confraria dos Saberes. Como teimo em fazer tudo ao mesmo tempo agora, sem a paciência dos lobos, teria eu antes pensado em escrever e aqui estou.
Este trecho faz transferência com a minha sessão de análise hoje. Parecia uma sessão de emergência para mim, mas fora marcada. Ela me telefona desde ontem e hoje consegue falar: “Eu te liguei porque achei esse horário estranho...” Mas era uma emergência! Ela não sabia...
Logo na porta encontro Duto Santana, psicanalista, dançarino, mestre em dança, meu querido Duto. Faço festa, foi uma surpresa encontrá-lo, e fazendo análise com Conceição! Ufa! Agora sim... rsrsrrsr Antes de chegar lá, uma conversa franca sobre o meu relacionamento com o meu amado marido. O que eu tenho a oferecer? O que me falta? O que eu quero dele? O que ele tem? Nossa, eu tenho um marido... Sou merecedora de um marido... Posso compartilhar o que temos e trocar quando não temos. Dar o que não tenho para dar. Um par, meu companheiro, sensível, inteligente, capengante nessa vida como eu. Porém, isso é importante, coloquemos nossa ortopedia em prática!
Isso! Como me emociono e me estarreço com todo o meu processo. Tem uma inteligência burra em mim, como consegui nomear. Interpretação bem dita. Será que ela é uma entidade superior. Para mim, seu suposto saber, seu inconsciente afinado e flutuando com o meu é o que há. E eu quase não aguento! Por que não uma meditação? Sim, já tentei, mas não consigo. Medite, ouça uma música antes de dormir. Olhe o que estou fazendo antes de dormir - escrevendo. Como me cortar? A vida é besta. Mas dói. Construa sua ortopedia. Construirei em mim o meu sujeito. Eu vou escolher qual o predicado de mim. Conjugarei sofrer, conjugarei viver? Viver. Conjugarei. Fazer. Conjugarei. Trabalhar. Conjugarei.
Minhas noites não têm sido plenas faz uns muitos dias. Insônia, angústia, mais que angústia, ansiedade. Anseio tudo, como supracitei, tudo ao mesmo tempo agora. Aí paraliso na minha. Tem atestado pra isso? Vou mostrar à médica pra ver se ela entende, porque o dia de ontem para mim, aliás, as horas que se passaram, já não sou mais eu. Eu faço análise! Então hoje eu (talvez eu releia e lembre pontuando assim. Sou meio esquecida):
Entendi porque Waltinho persiste na ideia de localizar o inconsciente em algum lugar do corpo humano;
Enxerguei que posso escolher não sofrer;
Relembrei como o meu sintoma toma conta de mim e como posso fazer para fazê-lo trabalhar ao meu favor;
Contextualizei que o meu pai, quando não o incomodava, não era a lei, mas a permissividade;
Entendi quando minha mãe declarou a terceiros ser eu uma mãe bem mais paciente do que ela foi;
Compreendi que meus pais não são autores de mim;
Lembrei que a violência não é só física mas também verbalizada;
Pensei não ser possível recordar de muitos fatos da minha primeira infância (será que recordar de um não basta?! A resposta é não, idiota!)
Percebi que comecei a soltar palavrões nas minhas sessões de análise;
Assustei quando quase perdi o meu parceiro, marido, amante em nome de uma moralidade falsa;
Percebi o quanto estou cansada de mim sintomatizante;
Estou trabalhando para construir a minha ortopedia e caminhar com os meus próprios pés.
Tem mais, muito mais. Essa experiência de pontuar a sessão é interessante... enfim, pontuar não é curar, é organizar. Estou me organizando.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Continuo vivendo para a morte. Minhas unhas pintadas com a cor de sangue, borradas, pela primeira vez na vida. Vermelho borrando minhas unhas das mãos. Parece sangue. Vários flashes de sonhos passados surgem na minha mente. Aquela casa pintada de azul com tom pastel, o que será? Horrível minhas unhas, mas ao mesmo tempo não. Mais mulher, como as outras, por algumas horas. Horrível, bonito. Eu posso, não quero. O vermelho só me faz lembrar de Frida Khalo. Cores muito fortes, coragem. Há um vazio, um corre corre pra pegar algo mas que é preciso ter paciência pra alcançar...
Há momentos em que eu penso se a vida é só isso. Só isso? Quero compartilhar o que eu tenho de bom, atravessar lugares. O que é que tem passar pelo Tanque do Meio a poucos minutos de começar o jogo do Brasil. É minha cidade, sou negra, ando de taxi, enfeitada para assistir à Copa do Mundo. Passo sorrindo do medo do motorista dizendo que não era dia de passar por ali. E daí? É gente, crianças pintado as unhas coloridas de verde e amarelo no passeio da rua. Minha filha coloriu as unhas dela na gaiola, bem protegidinha... A menininha do Tanque do Meio requebrava lindo, como se já soubesse fazê-lo desde que veio a esse mundo, na fila pra pintar as unhas. Negra, negrinha. Nem me enxerga pois sou igual a ela. Remexe involuntariamente, eu percebo, só por remexer. É a música daquele pedaço da minha cidade. Mais à frente, a casa dele.
Quero fazer algo junto com essas pessoas. Não tenho medo de passar pelo meio dos tanques - a casa dele fica abaixo da caixa d'água! Então Oxum me zele, Exu abre meus caminhos. O resto quem for Deus se encarregue.
Há momentos em que eu penso se a vida é só isso. Só isso? Quero compartilhar o que eu tenho de bom, atravessar lugares. O que é que tem passar pelo Tanque do Meio a poucos minutos de começar o jogo do Brasil. É minha cidade, sou negra, ando de taxi, enfeitada para assistir à Copa do Mundo. Passo sorrindo do medo do motorista dizendo que não era dia de passar por ali. E daí? É gente, crianças pintado as unhas coloridas de verde e amarelo no passeio da rua. Minha filha coloriu as unhas dela na gaiola, bem protegidinha... A menininha do Tanque do Meio requebrava lindo, como se já soubesse fazê-lo desde que veio a esse mundo, na fila pra pintar as unhas. Negra, negrinha. Nem me enxerga pois sou igual a ela. Remexe involuntariamente, eu percebo, só por remexer. É a música daquele pedaço da minha cidade. Mais à frente, a casa dele.
Quero fazer algo junto com essas pessoas. Não tenho medo de passar pelo meio dos tanques - a casa dele fica abaixo da caixa d'água! Então Oxum me zele, Exu abre meus caminhos. O resto quem for Deus se encarregue.
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