segunda-feira, 21 de setembro de 2026

 O beiço dela torcia toda vez que se referia à família do seu cônjuge. Ela, uma mulher branca. A família dele, toda negra. "Nigrinha", chamava as primas pretas assim. Tudo de ruim que as personalidades dos filhos apresentavam, deveriam ter herdado da família do pai. 

O racismo é isso aí. A mulher branca casa com um homem preto e a família dele nunca vai passar pelo crivo da sua branquitude. Nunca nada será suficiente para alterar isso. 

Se a filha nasce preta, "neguinha", de quem foi a culpa dessa menina ser assim? Até o corpo da menina é parecido com o corpo das "nigrinhas". O seu  olhar atravessa essa criança como se não a enxergasse negra, ainda assim: ela deve se comportar como uma branca, tem por obrigação.

Pouco olha para os seus antecedentes. A família do seu pai era preta, suas tias paternas pretas, gente que nasceu na beira da água, catando no mangue um jeito de sobreviver. Se nasceu de olhos claros foi por causa de sua avó branca dos olhos azuis e da sua mãe branca. 

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