Agora é a hora. Basta usar a matemática. É tudo pra depois da morte. A vida é muito curta. Quase duas horas. Tenho me sentido cada vez mais sozinha. Essa coisa de cantar é um bem e um mal. Sinto apenas que sou um instrumento de motivação alheio. Me falta objetivo, projetos, razão de ser. Vou pra análise, às vezes choro, às vezes me vejo bem, bem como todo mundo acha que é bem. Mas em mim é tudo o contrário. Minha voz está imensa, afinada, todo dia eu trabalho.
["Tenho tido dois pensamentos sobre isso: se isso nao é um sentimento dos dias de hoje e se não é uma forma depressiva para a qual nos endereçamos com certa frequência."]
Talvez as duas coisas. Aí eu pergunto: ora bolas, não era isso que você queria? Por que cargas d'água não se aquieta? E não tenho resposta. Estou chorando menos, acho que aprendendo a chorar por dentro. Tento sentir as cascas, não tem cascas, tem uma película, cheia de olhos, bocas voz, narinas.
["Como o cada um vai lidar com o desaparecimento da convivência para a focalização na produtividade (inclusive de si, haja visto as redes virtuais), é a questão pra mim."]
Estou solitária na rede virtual. É tudo uma coisa só. Todo mundo está morto. Que produtividade é essa? Nem convivência, nem produtividade. Tudo está morto. Sou de Peixes. A maré tá seca.
sexta-feira, 13 de abril de 2018
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Eis que agora yo soy
un cão
La femme del la matilha
The namoradinha
And he put on me your jacket because the rain start
Eis que sou quem tem cascas
Finas peles na alma
And he put your hand on me
Because he said
you are very pretty, mi amor. Yo precisava falar isso
Eis que sinto nada além de estar na matilha
E deixar que me guie ao mar
Mergulho
Sininho
Pés de cinderela
Bruxa
Pode ir correndo embora
Eis que eu reconheço
Acho que posso mergulhar
un cão
La femme del la matilha
The namoradinha
And he put on me your jacket because the rain start
Eis que sou quem tem cascas
Finas peles na alma
And he put your hand on me
Because he said
you are very pretty, mi amor. Yo precisava falar isso
Eis que sinto nada além de estar na matilha
E deixar que me guie ao mar
Mergulho
Sininho
Pés de cinderela
Bruxa
Pode ir correndo embora
Eis que eu reconheço
Acho que posso mergulhar
segunda-feira, 2 de abril de 2018
Musiquinha
Que é que se esconde lá?
Que é que se esconde lá atrás daquelas nuvens cinzas
Do mar de amar?
Que é que se esconde lá?
Que é que se esconde lá?
Que que se esconde lá atrás daquelas nuvens cinzas?
É um escândalo de luz de lua
Um escândalo de luz de lua no mar de amar
Que que se esconde lá?
Que que se esconde lá atrás daquelas nuvens cinzas do mar de amar?
Que é que se esconde lá atrás daquelas nuvens cinzas
Do mar de amar?
Que é que se esconde lá?
Que é que se esconde lá?
Que que se esconde lá atrás daquelas nuvens cinzas?
É um escândalo de luz de lua
Um escândalo de luz de lua no mar de amar
Que que se esconde lá?
Que que se esconde lá atrás daquelas nuvens cinzas do mar de amar?
Daqui posso gritar como se estivesse no deserto?
Daqui posso quase nada porque é apenas deserto
Com sorriso nos olhos
Lágrimas na boca
Nesse deserto tem cheiro de maresia
Enquanto muda a estação
Hoje eu encontrei com a loucura
Passei por ela na rua e sentada no passeio perguntei se ela ia bem
Mas que eu fosse pra longe com o cachorro
Me pediu, um Real, um cafezinho, um suco, um leite, qualquer coisa pra comer junto com o pão
Eu disse: nada tenho, loucura
Então ela insistiu
Um cafezinho
Eu me recolhi, coloquei a água no fogo
Um cafezinho
Levei à loucura e sentamos juntas no passeio, na sombra, do outro lado da rua
Enquanto ela me dizia que os estados unidos estavam em tudo aqui e logo seria tiro pra todo o lado
Quando perguntei o seu nome, me disse que era miséria
Mas o café estava sem açúcar!
Eu pedi pra descansar um pouco até resolver se iria atendar a mais um pedido dela
Todas as pessoas são assim. Encontros. As pessoas vão e vem, todo santo dia. Encontram-se e despedem-se. Bom dia e boa noite e até já ou nunca mais. As pessoas são encontros. Sem encontro não há salvação.
Daqui posso quase nada porque é apenas deserto
Com sorriso nos olhos
Lágrimas na boca
Nesse deserto tem cheiro de maresia
Enquanto muda a estação
Hoje eu encontrei com a loucura
Passei por ela na rua e sentada no passeio perguntei se ela ia bem
Mas que eu fosse pra longe com o cachorro
Me pediu, um Real, um cafezinho, um suco, um leite, qualquer coisa pra comer junto com o pão
Eu disse: nada tenho, loucura
Então ela insistiu
Um cafezinho
Eu me recolhi, coloquei a água no fogo
Um cafezinho
Levei à loucura e sentamos juntas no passeio, na sombra, do outro lado da rua
Enquanto ela me dizia que os estados unidos estavam em tudo aqui e logo seria tiro pra todo o lado
Quando perguntei o seu nome, me disse que era miséria
Mas o café estava sem açúcar!
Eu pedi pra descansar um pouco até resolver se iria atendar a mais um pedido dela
Todas as pessoas são assim. Encontros. As pessoas vão e vem, todo santo dia. Encontram-se e despedem-se. Bom dia e boa noite e até já ou nunca mais. As pessoas são encontros. Sem encontro não há salvação.
sábado, 31 de março de 2018
Tapa a boca de tristeza
Abre a boca de alegria
Tapa a boca de tristeza
Abre a boca e berra
Tapa a boca com comida
Abre a boca de tristeza
Tapa a boca
Tapa a boca
Tapa a boca
Engole o choro
Tapa a boca
Aperta os olhos
Fecha os olhos
Tapa a boca
Grita pra dentro
Chora pra dentro
Tapa a boca
Alguém bateu
E a boca à tapa todo dia
Abre a boca de alegria
Tapa a boca de tristeza
Abre a boca e berra
Tapa a boca com comida
Abre a boca de tristeza
Tapa a boca
Tapa a boca
Tapa a boca
Engole o choro
Tapa a boca
Aperta os olhos
Fecha os olhos
Tapa a boca
Grita pra dentro
Chora pra dentro
Tapa a boca
Alguém bateu
E a boca à tapa todo dia
quarta-feira, 28 de março de 2018
E quando está tudo bem
Não está tudo bem
Ainda que tudo bem
Aqui vai quase tudo bem
E um pouquinho de medo
Pitada de ódio
A linha média a esgarçar
Por dentro
Por fora a casca a descamar
Por dentro
Choro pra não chorar
Sem saída
Sem silêncio
Uma gota, por favor
No meu ouvido
Agora no outro ouvido
Mais cinco horas
De corpo assentado
Muito tempo
Corpo morrido.
As moças sussuram nos meus vértices
Quando vai tudo bem
Eu aguento uma boa notícia
Tudo quase tudo bem
Nada bem
Quase tudo explodindo
Não está tudo bem
Ainda que tudo bem
Aqui vai quase tudo bem
E um pouquinho de medo
Pitada de ódio
A linha média a esgarçar
Por dentro
Por fora a casca a descamar
Por dentro
Choro pra não chorar
Sem saída
Sem silêncio
Uma gota, por favor
No meu ouvido
Agora no outro ouvido
Mais cinco horas
De corpo assentado
Muito tempo
Corpo morrido.
As moças sussuram nos meus vértices
Quando vai tudo bem
Eu aguento uma boa notícia
Tudo quase tudo bem
Nada bem
Quase tudo explodindo
domingo, 25 de março de 2018
Qual o plano que faço comigo?
Aonde está o íntimo do meu desejo
Aquele desgarrado do Outro
É insano
Caminhadas até à praia
Todo dia linha do horizonte
Ondinhas
Lembro de não sei onde
Ele veio
Ele foi-se
E nunca mais virá
Eu não vou
E nós não teremos um relacionamento
Ele disse
Eu morri
Estou morta
Qual o plano que faço comigo?
Um barco sem vela
Aqui e lá
No estômago e no devaneio
Mais lindo do mundo
É preciso atravessar
Sentir-me estrangeira
Bem naquele lugar onde é impossível voltar quando quiser
O peito travará
A mão retirará parte do óleo da face
Haverá um choro
Quiçá um berro ensurdecido nas espumas
Por ele mesmo
Uma terraplanagem
Um louco planeamento
Por mim mesma
Comigo
Enquanto busco algum sentido
Nesse ir e vir
Chacoalhar de emoções
É o único plano que faço comigo
Aonde está o íntimo do meu desejo
Aquele desgarrado do Outro
É insano
Caminhadas até à praia
Todo dia linha do horizonte
Ondinhas
Lembro de não sei onde
Ele veio
Ele foi-se
E nunca mais virá
Eu não vou
E nós não teremos um relacionamento
Ele disse
Eu morri
Estou morta
Qual o plano que faço comigo?
Um barco sem vela
Aqui e lá
No estômago e no devaneio
Mais lindo do mundo
É preciso atravessar
Sentir-me estrangeira
Bem naquele lugar onde é impossível voltar quando quiser
O peito travará
A mão retirará parte do óleo da face
Haverá um choro
Quiçá um berro ensurdecido nas espumas
Por ele mesmo
Uma terraplanagem
Um louco planeamento
Por mim mesma
Comigo
Enquanto busco algum sentido
Nesse ir e vir
Chacoalhar de emoções
É o único plano que faço comigo
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