domingo, 30 de abril de 2017

o Menina baiana - claquete 37

O Menina baiana não põe fogo de longe. Ela se acha fogo que pode pegar de longe. Porque quer. Quer porque quer. Não tem jeito de baixar o fogo quando quer, porque quer. E já procurou muito pelas respostas, não pense que não. Será que é porque gosta de tapinha na cara? Por que não? Menina baiana tem tesão por existencialista ateu. Ele mexe comigo, ela diz, quando ele me chama de putinha. Ela diz que gosta. Diz que gosta quando ele diz quero. Deve ser porque quer. Quando diz. Menina baiana acende de salvador quando ele diz quero. Com o corpo que ele tem pra dar. A voz vem do corpo. Ela se toca. E só quer que ele toque. Quer porque quer.

o Menina baiana - claquete 36

Funk, funk, funk. Funk, funk, funk. Entrando pela janela. Um pagode meio funkeado. Pago-funk. Funk, funk, funk. A Música Popular Brasileira. Vocês parecem combinar em muitas coisas, não?

O MENINA: Eu quero escutar música baiana bem alto no carro na rua até às 22 horas. Depois dessa hora só o barulho do mar. Eu fico me perguntando como é que pode esse tipo de vontade nessas condições, mas não encontro resposta. Talvez porque faça parte de mim e vai aonde eu me direcionar. Você vai ver. Você sabia? Trem das cores foi feita pra Sônia Braga. Por isso tão linda. Encontrei ela no terreiro de mãe Stella catando lixo do chão. Olhei pro corpo de uma mulher, me senti atraída vendo Sônia Braga num filme na televisão. E fomos apresentadas. Sim, pensei que meu santo ia baixar. A música me invadiu de um jeito que eu tive que me controlar, eu me arrepiava toda sem parar. Enquanto tem gente querendo um bocado de coisas, outros nada.

o Menina baiana - claquete 35

CENA: Muito contato com o real


O MENINA: Há o inconsciente, porque​ há memória. Freud fala: reminiscências. A gente tem que​ lembrar como andar, comer, falar e o que aconteceu ontem pra cumprir a tarefa do dia seguinte. Isso é realmente efeito da civilização, com o adestramento. Quanto menos alienado, menos inconsciente. Aí pode apenas existir. Digo pode porque nesse mundo é tudo uma questão de poder, relação de poder, como diz Foucault. Só que nesse caso, de apenas existir, é poder consigo. Me sinto como Neruda no filme. Fazendo roteiro o tempo todo.

o Menina baiana - claquete 34

CENA: Patrimônio


O MENINA: A única coisa que estou planejando é meu próximo show. Mais nada. O resto é pensamento solto. Acabou um monte de coisas pra mim nessa vida.

O AMIGA: Recomeçar....Todo dia. Olha eu!

O MENINA: Acredito em pouquíssimas.

O AMIGA: Recomeçando ávida toda.

O MENINA: Ao menos eu não precisei mudar meus móveis de casa, mas estou beirando a morte, saindo dessa fase agora, com certeza serei mais forte. E mais velha.

O AMIGA: Quantas mortes dessa você​ tem num ano?

O MENINA: Vixe... Boa pergunta. Eu sou péssima em matemática. Não muitas, mas sempre são muito dolorosas. Pra eu matar e morrer é doloroso. E amigos que me matam de um jeito e acham que ainda são meus amigos é pior ainda.

O AMIGA: Você mata e morre que graça tem? Tem que matar e viver.

 O MENINA: Parece que acontece de matar e viver, mas só depois. Porque vira "patrimônio".

O AMIGA: Muito complexo para meu entendimento.

O MENINA: Que psicologia você​ tá fazendo hein? O cara te dando aula é você​, porque​ todos os personagens são o sonhador. Você quer escutar a minha voz? Eu sou escritora!
Eu escrevo mesmo antes de ir à escola. Acho que os homens não gostam de mulher apaixonadinha.Ou gostam mas por vaidade.

O AMIGA: "vai deixando a gente pra outra hora... Quando se der conta já passou"

O MENINA: Eu cantando. É o único jeito. Quero que leia meu material de novo. Pode ler? Minha justificativa. Acho que escrevi muito. Se não puder hoje, depois. Estou lendo Simone de Beauvoir e acho que sou gay.

sábado, 29 de abril de 2017

o Menina baiana - claquete 33

CENA: Pra qualquer um

O MENINA: Acho que estou atravessando a morte agora. A amizade quando acaba é ruim. Eu devo ser muito boba então. Mas enquanto eu enxergue sentimento, eu estarei perto de quem eu gosto. Eu dizer: sinto saudades. E a outra pessoa dizer: eu também sinto. Acho que tem algo muito maior do que o que é genital. É saudade de estar na presença. Amar é acompanhar. Estar perto de algum jeito. Eu acho. Porque a vida é essa solidão mesmo. Eu choro de soluçar toda vez que tenho que me despedir até hoje. A cartomante disse que ele viria. Ele está vindo. E eu estou aprendendo a atravessar o dilacerante que há em minhas paixões. Quando eu gosto, eu gosto. Veja: [pega o celular e mira a tela] "Vc é muito linda. Inteligente e bem resolvida. É o tipo de mulher que qualquer homem casaria. Sua personalidade é rara. Você é única e seu valor é insubstituível. Tem carisma único e um sorriso que enche qualquer lugar de cor. Era pra você tá casada e bem casada. Você deu mole. Ia te dar uma luz espiritual.Tenho vidência da vida alheia. Na minha não vejo nada. Se for casada comigo, todo dia tem um homem diferente na cama. O problema é aguentar o ritmo. Sou quase ninfomaníaco.Tu guenta? Bora casar? Casamento moderno, cada um na sua casa. Paixão é do corpo. Amor é da alma. As pessoas não​ nascem prontas, elas se encaixam.Bem assim." Viu? Sou um fetiche. Pra qualquer um?

sexta-feira, 28 de abril de 2017

o Menina baiana - claquete 32

CENA: You don't know me

O MENINA: Uma vontaaaade de lhe chamar de amor... Meu amor... Diga, amor. Vamos, amor. Sim, amor. Oi, amor. Não, amor. Ai, amor. 


"Não tem problema, quê que eu vou dizer, não tem problema, quanto mais amor mais vale a pena outros temas" (Carlinhos Cor das Águas)

o Menina baiana - claquete 31

CENA: Greve geral

A QUERENTE: Posso te ligar? Posso? Tá chateada comigo? [pausa] Não entendi. Beleza então. [pausa] Não vai falar? [pausa] Esse é o seu problema. Não me quer mais?

O MENINA: Você desconhece os meus problemas. 

A QUERENTE: Diga.

O MENINA: Eles nunca passaram pelo sexo, inclusive.

A QUERENTE: Não me quer nunca mais?

O MENINA: Te querer?


"Eu, tu e todos no mundo tememos por nosso futuro, ET e todos os santos valei-nos, livrai-nos desse tempo escuro, lá lá lá lá lá lá lá" (Gilberto Gil)