É preciso ficar em silêncio e apenas agir. Quem me benzeu agora na praia disse pra continuar os planos, mesmo que eu vá me arrastando, chegarei lá. Como vou ficar em silêncio total eu vou aprender. Se encontro Carlos na balaustrada da praia mais bonita da cidade e ele me pede pra tocar e cantar. Isso nunca poderei negar a Carlos.Ele me fez cantar mais um vez na noite e eu nunca esqueci de tudo dessa noite. Ele me agradece dizendo que eu o enxergo e pede música. No início de tudo ele me dá bom dia e aperta a minha mão. Depois diz que eu faço muitas perguntas e propõe recomeçar pelo bom dia.Tocando em frente é a primeira canção a mim dedicada. Ovelha negra, alô alô marciano. Essas são a minha cara, ele quem diz.
Então recebo seu violão surrado e um tanto desafinado em meus braços
Ele diz que é assim mesmo, mesmo desafinado, pra eu tocar
Vou de sangue latino e ele bate palmas, fala as frases
Continuo do poutpourri à flor da pele
As pessoas passam e querem registrar a cena linda, elas dizem
Os olhos de Carlos quando me fitam cantando e tocando sempre estão cheios lágrimas contidas
Devolvo-lhe o violão e ele toca a paz
Essa eu sei!
Ele me devolve o instrumento, eu erro as notas e ele me faz uma nova proposta de começar tudo de novo e aponta pra o mar
Só a guerra faz o amor em paz
A chuva cai mansa refrescando a manhã debaixo da amendoeira frondosa que nos protege
Carlos pede que eu toque e cante mais uma
Por onde andei começa
Ele vai virando o seu corpo sentado até ficar de costas pra mim e percebo que chora
Chora, chora, e levanta da balaustrada, dando passos pra longe de mim
Volta, passa por mim chorando
Volta, senta novamente na minha frente, olha nos meus olhos, seus olhos derramando muitas águas
Sorri
Bate palmas
Finalizo a canção
Ganho o seu abraço
E ele declara ser meu irmão
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Lagarta no ar
Eu vi
Uma lagarta
Verde
Pendurada
No ar
Contorcendo o corpo
Presa
No ar
Olhei pra cima
Nem planta
Nada
O ceu
Lagarta no ar
Eu juro
Eu vi
Quase ninguém viu
Uma lagarta
Verde
Pendurada
No ar
Contorcendo o corpo
Presa
No ar
Olhei pra cima
Nem planta
Nada
O ceu
Lagarta no ar
Eu juro
Eu vi
Quase ninguém viu
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
Mapa
Se eu não sou só uma
Se estou em várias quando elas querem vir
São chamadas muitas vezes
Aparecem monstras com
Transtorno de pânico
Transtorno misto ansioso e depressivo
Episódios depressivos
Transtorno depressivo recorrente
Estado de estresse pós-traumático
Transtorno de adaptação
Elas escarnam cancros
E ficam de olho na ferida
Como um bicho acuado
Que já viu muita gente matar muita gente
Elas aparecem em um mapa
Os olhos têm motivos pra se debruçarem nesse desenho
São códigos emburrecidos
Ela causa no mundo com todas elas
Mexe com você
Surgem até tremores e sua pressão arterial sobe quase te matando
É mentira?
É tudo mentira sobre tantas elas
As cúmplices
As oferecidas
As putas
As quengas
As artistas
As loucas
As desequilibradas
As apaixonadas
As desleixadas
As vadias
As vagabundas
As milf
As desencantadas
As necessitadas
As mal educadas
As cara dura
As Maria-rapaz
As monas
As minas
As mães
As meninas
Se estou em várias quando elas querem vir
São chamadas muitas vezes
Aparecem monstras com
Transtorno de pânico
Transtorno misto ansioso e depressivo
Episódios depressivos
Transtorno depressivo recorrente
Estado de estresse pós-traumático
Transtorno de adaptação
Elas escarnam cancros
E ficam de olho na ferida
Como um bicho acuado
Que já viu muita gente matar muita gente
Elas aparecem em um mapa
Os olhos têm motivos pra se debruçarem nesse desenho
São códigos emburrecidos
Ela causa no mundo com todas elas
Mexe com você
Surgem até tremores e sua pressão arterial sobe quase te matando
É mentira?
É tudo mentira sobre tantas elas
As cúmplices
As oferecidas
As putas
As quengas
As artistas
As loucas
As desequilibradas
As apaixonadas
As desleixadas
As vadias
As vagabundas
As milf
As desencantadas
As necessitadas
As mal educadas
As cara dura
As Maria-rapaz
As monas
As minas
As mães
As meninas
sábado, 25 de janeiro de 2020
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
Sentido iluminado
Você tem sorte de alguém olhar pra você assim
Ou falta de sorte
Porque sou eu quem te vê com meus olhos
Meus olhos de olhar assim
Boa sorte
A sorte que você deseja ter
Ou falta de sorte
Porque sou eu quem te vê com meus olhos
Meus olhos de olhar assim
Boa sorte
A sorte que você deseja ter
quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
Bombafunk
Menina na rua
Mulher na esquina
Atrás do balcão
Ela se domina
Mete o carão
Vai até o chão
Te chamam menina
Sem saberem
Menina velha
Ela foi um plano
Quase dá errado
Um estudo na língua
Menina...
Menina se domina
Mete o carão
Vai até o chão
Menina se domina
Meta a bala
Mande ver
Segura na agulha
Menina veneno
Disco compacto
Vai!
Menina se domina
Chama outra menina
Mais uma menina
No paredão
Mete o carão
Vai até o chão
Quem não te conhece
Menina
Não te vê
Canta assim
Uma lágrima pequena assim
Domina sim
Mulher na esquina
Atrás do balcão
Ela se domina
Mete o carão
Vai até o chão
Te chamam menina
Sem saberem
Menina velha
Ela foi um plano
Quase dá errado
Um estudo na língua
Menina...
Menina se domina
Mete o carão
Vai até o chão
Menina se domina
Meta a bala
Mande ver
Segura na agulha
Menina veneno
Disco compacto
Vai!
Menina se domina
Chama outra menina
Mais uma menina
No paredão
Mete o carão
Vai até o chão
Quem não te conhece
Menina
Não te vê
Canta assim
Uma lágrima pequena assim
Domina sim
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Parada e ereta. Não, não estou parada. Estou respirando, embora à noite não consiga fotossintetizar. As outras ao entorno estão inclinadas, curvadas. Elas são desse jeito mesmo. Assim elas procuram a luz, envergando-se. Talvez de minha parte nasça uma flor rosa. Essa flor bem parece comigo mas nasce rosa enquanto eu busco a luz do sol assim quieta respirando. Outra parte de mim vai no fundo desta terra muitas vezes seca mas molhada a tempo suficiente de eu não murchar ou morrer. Sobrevivo com pouca água, confesso. Daqui estou de frente pra um outro ser cuja água sai das duas bolas pequenas e bem próximas que se mexem e também se contraem, fecham e abrem. Veja! Lá vem o dia! O azul do céu! Um passarinho piando baixinho. A luz me faz viver mais até chegar o dia de me tornar apenas uma folha seca no chão.
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