Escutei o miado de um gato filhote durante a madrugada. Fui acordada por esse som e, por um importante momento do meu sono sagrado, com meus olhos abertos já sentada na cama, por um pensamento convicto de que era o meu gato que veio ao meu encontro. O gato que eu venho desejando encontrar havia me encontrado finalmente nesta incrível madrugada de sono arrombado por miados.
Agora uma ave soa seu canto tão agudo e prolongado quanto um miado. Mas é dia. Nem coruja eu escuto aqui de noite.
Deitei e me dediquei mais uma vez a volta do caminho, tentei me despedir do estado de vigília. O som insistia e novamente me pus sentada na cama. O cachorro nem se abalou. Comecei então a duvidar da existência do gato que era meu.
De onde estaria partindo aquele som? O dia não apontava, a escuridão abriu as suas mil portas. Insano seria eu me levantar e sair procurando. Os miados eram reais. De bicho filhote. A certeza apontava para a existência de um gatinho miando e fazendo a sua súplica. De fome. Chamando por sua mamãezinha que saiu para caçar.
A ilusão protege e desprotege a mente civilizada. Dessa vez protegeu, um pensamento de sossegar o imaginário e voltar a dedicação ao sono sagrado assim que os miados pararam.
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