quarta-feira, 20 de agosto de 2025

 Se você não tem testemunha ao jardinar no seu jardim, só você e o jardim saberão do trabalho realizado. Você, o jardim e suas ferramentas. E as formigas que se incomodaram com o agito e arrancos na mata. O cachorro poderá até saber, ficou no topo da escada te olhando o tempo todo. 

Quando você descobre que o jardim de sua jardinagem é todo dia invadido por uma praga que destroi a vida de alguma planta. Uma luta todo dia para manter a jardinagem. Uma luta sem fim. 

O homem criou e deixou-se criar em redes artificiais onde se perpetua o racismo. Racismo algorítimico, uma novidade desses tempos. E o que fazer para não ser objeto reforçador desse algorítimo? Resistir? Viver a vida inteira resistindo  ou deixar de participar desse lugar de interação que limita a sua existência? Qual a saída senão voltar a nos comunicarmos como antes, sem o conhecimento da branquitude? Como continuar fazendo parte de uma rede da branquitude? Não há rede com a branquitude, as tramas desentrelaçam. 


 Ele nem foi lá nos tantos que disse enxergar: Luiz melodia, Tonho matéria , luis Miranda. Nem eu fui, só depois. Porque a coisa da análise é captada no só depois. Três em uma pessoa só, como é que pode, tantos artistas na repartição? Artista só é possível na repartição do trabalhista, é o que me parece. 

sábado, 14 de junho de 2025

 Se gato não é pra caçar rato e cachorro pra espantar ladrão, eu não sei não. Acabei de jogar pro universo porque quero um gato pra evitar ratos. Parece uma intenção de fazer um gato de escravo. Ele pode chegar e nem querer caçar, mas ele pode chegar. Diariamente gatos visitam o meu quintal. Gato todo preto, gato todo branco, gato tigrado e caolho. Mas a vizinha teima em dizer que os ratos moram no meu quintal. Já cuidei, eles continuam vindo. Agora mesmo tem um dentro do meu quarto. Ontem morreu um maior que esse bem debaixo do meu nariz, envenenado. Eu sei de onde vêm, eu ando na rua e é dela. Já imagino ratos embaratados e quero ir embora pra outro lugar. Como vou sair em defesa da minha tese de onde vêm os ratos se me ensinaram a ficar calada? La voisine já me pediu dinheiro emprestado, já me pediu pra receber suas correspondências, eu lhe peço a frente da sua garagem sem carro e deixo meu cachorro latir o quanto ele quiser. Estou diariamente dessensibilizando e aceitando. Não sou comida de rato. Quem sabe ele veio morrer em paz aqui como o outro que me mostrou olhinhos piedosos em seus últimos segundos de silêncio absoluto até parar de piscar para sempre. Eu achava tão bonita a página do livro da Branca de Neve rodeada de bichos na floresta ensinando um caminho pra ela se salvar ... É assim que se aprende a mentira, pelos livros de história. Mentir parece fácil como contar uma história, mas a defesa é de uma verdade sem muita história. É preciso encontrar provas. É cansativo sair em defesa sobre a origem dos ratos. 

quinta-feira, 12 de junho de 2025

 quando você sente que existe? quão difícil sentir-se nesse mundo é para você? quão prazeroso o é fazer sentir-se tecendo o que poderia ser miragem, delírio, até encontrar a trama do Outro. 

Aranhas moram em suas teias por muitos e muitos dias.

domingo, 8 de junho de 2025

 Preconceito pélvico, donos do corpo. 

Preconceito linguístico, donos da palavra.

 Preconceito racial, ditam a estética.

sexta-feira, 30 de maio de 2025

 São tantas pelo chão que se fossem moedas ninguém passaria fome. Tampinhas de ferro pintadas por todas as portas dos bares do centro, as amassadas brilham e chamam meus olhos.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Bombom tartaruga

 Dessa vez, uma parte das as cinco dezenas de reais que recebeu foi suficiente para comprar o pagamento e trabalhar. Com todo amor, guardado no bolso para entregar no dia e hora certa. Assim foi feito, mas uma pergunta surgiu.


Por que o pagamento se dá novamente com chocolate? E mais uma pergunta, para complementar: o que significa para você esse bombom de chocolate? Dizer que me ama não é suficiente no momento em que a transferência está evidentemente estabelecida. Diga mais. Faça um novo registro da sua história e se convença de que o chocolate lhe faz mal, mal ao seu corpo tão pequeno.


O novo pacote se abriu no meio da manhã durante as passadas no asfalto para matar a fome, dessa vez sem dúvidas, ou quase. Antes, a validade foi conferida e, como é digno do pensamento desvirtuar a percepção, leu-se o mês dez ao contrário, quase acreditando na desconfiança imperiosa. A leitura foi repetida trazendo a segurança de abrir o pacote. Uma tartaruga moldada no chocolate correu para a boca primeiro a pata quebrada, depois o resto, consistente.